13/12/2010

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A FORMAÇÃO DA PALAVRA QUE DÁ VIDA

O Antigo Testamento (AT) compõe três quartos do conteúdo da Bíblia. Já o Novo Testamento (NT), um quarto. Em termos do Evangelho o AT relata a preparação para o Evangelho, os quatro evangelhos relatam a manifestação do Evangelho, Atos relata a expansão do Evangelho, as epístolas relatam a explicação do Evangelho e o Apocalipse relata a consumação do Evangelho.
Mas surge a pergunta: Será que a Bíblia merece confiança, principalmente o AT, que é tão antigo? Para responder precisamos considerar duas questões: Como o texto foi produzido? Como o texto se tornou o padrão religioso?

Como o texto foi produzido

A Bíblia foi produzida num espaço de 1.500 anos. O êxodo de Israel aconteceu em 1445 a.C., e o Apocalipse foi escrito no ano 95 de nossa era. Ajuntando os dois temos 1540 anos. Considerando que Moisés escreveu logo depois do êxodo, podemos calcular 1.500 anos. A preservação dos textos se chama transmissão. Este é o processo por meio do qual os manuscritos originais, os autógrafos, foram copiados e recopiados através dos séculos. Houve a transmissão oral, mas muito mais a transmissão por escrito. Formou-se uma profissão altamente conceituada, denominada de “escribas”, pessoas que se encarregavam desta fiel transmissão, começando com Esdras (Esdras 7.6,10-11). Os escribas tinham tanto respeito pelo texto que chegaram a ter uma supersticiosa veneração de suas Escrituras. No 5º e no 6º século d.C. um grupo de escribas judaicos eruditos (doutores da lei), chamado de massoretas, produziu uma edição padrão do AT, usando todos os manuscritos disponíveis daquela época. Este texto modelar ficou tão correto que séculos mais tarde, quando em 1947 d.C. os rolos de Qumrã foram descobertos, datados em cerca de 175 a 225 a.C., os manuscritos eram quase iguais. Deus, o divino autor que se revelou, e que inspirou os escritores, também preservou a sua Revelação durante séculos de transmissão.

Como o texto se tornou padrão religioso

Este processo se chama canonização. A canonização é a identificação de um escrito com sendo divinamente inspirado. Cânon vem do hebraico qanah, que significa régua de medir. Cânon significa, na linguagem de estudo da Bíblia, o conjunto de livros que se tornou o padrão aferidor. Os judeus chamam sua Bíblia, que é o Antigo Testamento protestante e evangélico, de Tanakh, derivado de três palavras: Torah (Lei), Nabhym (Profetas) e Kethubym (Escritos).

Primeiro é necessário destacar a canonização da Lei (Torah), que são anotações (Êxodo 24.4-7, Deuteronômio 31.9-13, 24-26). Estes escritos foram lidos e aceitos como a Palavra de Deus séculos mais tarde na época de Josias (2 Reis 23.1-3 e 2 Crônicas 34.29-31) e Esdras (Neemias 8.1-3,8,13,14 e Neemias 9.3). Porém, na realidade já foram aceitos como autoritativos por Josué (Josué 1.8 e Josué 24.26-28).

Também houve a canonização dos Profetas (Nabhym). Todos os profetas foram reconhecidos como homens com uma mensagem especial de Deus, e assim seus escritos foram logo aceitos como autoritativos, vindo de Deus. O que eles falaram se cumpriu, e a vida deles mostrava a seriedade do que falavam.

Além disso há a canonização dos Escritos (Kethubym), que foram aceitos sem problemas. Houve uma compilação deles pelos escribas do rei Ezequias (Provérbios 25.1) e há tradições antigas que dizem que Esdras, junto com outros escribas conhecidos como “A Grande Sinagoga”, colecionou e organizou os manuscritos, de forma em que o AT, na sua essência, foi completado cerca de 400 anos antes de Cristo.

A Igreja Católica Apostólica Romana acrescentou, no dia 8/4/1546, numa sessão do Concílio de Trento, com apenas 5 cardeais e 48 bispos presentes, alguns livros, que chamamos de apócrifos, e por ela chamados  deuterocanônicos. Esta posição foi confirmada mais tarde no Concílio Vaticano I, em 1870 d.C.

Certas traduções usadas pela Igreja Anglicana e a tradução de Martinho Lutero incluem os livros apócrifos, inserindo-os numa parte especial chamado Apócrifos entre o AT e o NT.

E o Novo Testamento, como foi formado?

Houve anotações dos sermões de Jesus. Os estudiosos, por exemplo, afirmam que o sermão do monte é uma tradução grega (a língua em que o NT foi escrito) de um texto aramaico, a língua que Jesus falava. Há expressões idiomáticas (chamadas de aramaísmos), que mostram que foram anotações de algo pronunciado em linguagem coloquial. Os Evangelhos foram aceitos sem problemas. As cartas de Paulo tinham o peso e autoridade de sua vida e de seu trabalho. As epístolas de Tiago, Judas, Pedro e João foram escritas por homens que as igrejas da época respeitavam e reconheciam como pessoas dignas de crédito, e de reconhecida comunhão com Deus. Houve vários critérios, que deixamos de comentar aqui, para evitar tornar o estudo muito técnico. Mas mencionamos três: Autoria, aceitação das igrejas e fidelidade à doutrina. O NT se divide em Evangelhos (4), um livro histórico (Atos), cartas de Paulo (13), uma carta de autor desconhecido (Hebreus), cartas de outros autores (7, chamadas de cartas gerais) e o Apocalipse, num total de 27 livros.

Qual o valor disto para nós?

O grande valor está em que os cristãos consideram o Antigo Testamento, junto com a Novo, a Bíblia, como Palavra de Deus. Creem que ela tem lições vivenciais para nós. Longe de ser um livro embolorado, é um livro dinâmico, porque mostra as relações entre Deus e os homens por 1.500 anos. A Bíblia tem ajudado homens e mulheres, nestes 3.500 anos, desde seu primeiro livro, até hoje. Não pode ser descartada sem mais nem menos. E deve ser vista como um elemento útil para nossa vida.

Como devemos ver a Bíblia?

Em primeiro lugar, reconhecendo-a como inspirada por Deus (2 Pedro 1.20-21). Deus veio se revelando gradualmente, até que se revelou, de vez, na pessoa de Jesus (Hebreus 1.1-4).

Além disso, reconhecendo-a como verdadeira (2 Timóteo 3.14-17). Isto não significa a verdade em ciência, química, ou qualquer ramo do saber humano. Ela foi escrita para nos ensinar sobre Deus, e neste ponto seus conceitos são verdadeiros. Há falhas humanas, falhas pessoais dos escritores, mas os conceitos são de origem divina.

Também devemos reconhecê-la como útil para nossa vida. Vejamos o Salmo 119.105. A pessoa que a estuda e medita nela é abençoada em sua vida e nas decisões que deve tomar (Salmo 1.2-3). Assim sendo, não basta lê-la como um livro qualquer, mas lê-la e praticá-la, como vemos em Tiago 1.22-25.

Conclusão

Hoje muitas pessoas falam em nome de Deus e trazem seus conceitos pessoais. Ter conceitos pessoais é um direito de qualquer um, mas atribui-los a Deus é mais sério. Devemos ouvir, examinar e filtrar (Atos 17.10-11 e 1 Tessalonicenses 5.21). Nenhuma pessoa ou líder religioso que se diga cristão tem o direito de ensinar o oposto da Bíblia ou de usá-la como deseja. E nós, que a estudamos, devemos fazer como lemos em Tiago 1.22-25. O mais importante é aplicar seus ensinos em nossa vida.

Escrito por Isaltino Gomes Coelho Filho
Sex, 10 de Dezembro de 2010 17:10

Fonte: http://www.ojornalbatista.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2618:a-formacao-da-palavra-que-da-vida&catid=15&Itemid=33

  1. heloisa renata duarte da silava says:

    estive em teresina e assisti o culto de natal gostei muito mas gostaria de receber o video da apresentaçao do culto de natal!!
    obrigado
    heloisa

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