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NO TOPO DA LISTA
Pode-se mensurar através de vários fatores o aumento da iniqüidade humana nesses tempos confusos. Seja qual for a lista, contudo, ela será obrigatoriamente encabeçada pelo tratamento dispensado às crianças, com as exceções de praxe. Um crime hediondo como a pedofilia bastaria para justificar a afirmativa, ainda mais quando se tem em conta a escala planetária na qual essa ação diabólica se verifica, real e virtualmente falando. Em geral, a guerra é tão infernal para a população civil quanto para os combatentes propriamente ditos, mas para as crianças trata-se de um flagelo ainda pior. É a elas que a fome devora primeiro e são elas as maiores vítimas da violência em qualquer de suas formas, a começar pela doméstica. A lista pode continuar sendo preenchida sem muita dificuldade, incluindo o desamparo, o abandono, a mendicância, as drogas e a indução ao crime e à prostituição, para ficar só no mais explícito.
No caso brasileiro, com absoluta certeza não irá faltar a nefasta influência cultural que jorra dos meios de comunicação e a equivocada educação básica que tem por objetivo formar pessoas para quem o certo e o errado ou são a mesma coisa ou simplesmente não existem como coisas antagônicas e inconciliáveis. Na chamada proposta político-pedagógica – na prática um eufemismo para alinhamento ideológico – dominante no Brasil, as crianças estão sendo ensinadas a ver só o lado dos direitos, ignorando os deveres. Os alunos são estimulados a desafiar e desrespeitar os professores, que no geral não estão sabendo como lidar com a situação, já que o Estatuto da Criança e do Adolescente está a postos, na mão dos milicianos do politicamente correto que no fundo são o mesmo tipo de gente que ajuda a manter impune a onda de corrupção que varre o país.
Quanto à igreja, seu papel no que se refere ao cuidado para com os principais súditos do reino de Deus é de protagonista, não de coadjuvante. A propósito, a denominação batista tem credibilidade o suficiente para que mesmo os não-crentes, sem exceção dos críticos do movimento evangélico, reconheçam em suas igrejas um bom lugar para seus filhos pequenos frequentarem. E isso não é pouca coisa, considerando os muitos exemplos negativos oriundos de outros arraiais. Nesse sentido, é preciso aproveitar as oportunidades e entender que criança tem prioridade. Os templos, como é natural, são construídos para atender aos adultos, a começar pelo próprio santuário. Por vezes, o departamento infantil carece de espaço físico, equipamentos e materiais, ou, pior, de pessoas preparadas para lhes ensinar o caminho do Senhor. Igrejas pobres – e na maioria as nossas o são – precisam de apoio para apresentarem programações atraentes, especialmente na área musical. Contudo, naquelas onde se precisa fazer escala para a participação dos membros, a sensibilidade a respeito é muito rarefeita, quando existe.
Era preciso que tanto as igrejas melhor estruturadas quanto as mais limitadas olhassem para fora e percebessem que as pessoas não são chamadas pelo Senhor para pertencer a igrejas onde se “sintam bem” e sim onde ele as quer e onde deem mais e melhores frutos. O desconforto pessoal por trabalhar em condições adversas não estava fora da agenda de
Jesus Cristo, muito ao contrário. E assim como, na música popular, “o artista precisa estar onde o povo está”, o povo de Deus precisa estar onde estão os mais frágeis, indefesos e desorientados desse mundo.
A lista, como se sabe, é encabeçada pelas crianças.
Fonte:Editorial de “O Jornal Batista” de 9/10/11



